COMUNICANDO: Vagas múltiplas: um vicio fortalecido pelos profissionais por Fernanda Cappellesso

Imagine o seguinte anúncio: “Precisa-se de médico geriatra, que tenha experiência em cirurgia infantil e anestesia. Se tiver experiência em cardiologia contará muito para conquistar a vaga”. Ilário e absurdo não é? 

Porque você considerou a vaga absurda? Por unir quatro segmentos de uma única profissão, não é? Então, agora me responda: na medicina não é possível que um profissional atuar em várias pontas, não é verdade? Pois é, nas outras profissões para que o serviço prestado seja de boa qualidade deve ocorrer o mesmo. 

É cada vez mais comum e usual nas vagas de marketing e publicidade e propaganda a união de duas ou três áreas de atuação do segmento, o que é muito errado. Como exemplo posso citar a seguinte vaga: “precisa-se de um Social Media que tenha conhecimento em Corel Draw, Photo shop, saiba diagramar, tenha redação e conhecimento em Google Adwords, Facebook ADS, Instagram ADS, Twitter ADS, e Youtube ADS. Conhecimento em edição de vídeos será um diferencial.”

Com uma vaga sim ninguém se assusta. E o que é pior: a maioria das empresas não tem vergonha de expor uma vaga como essa. Bem diferente do susto que levariam se a vaga para a medicina fosse exposta porque?

Penso  que o início dessa resposta está na valorização que o profissional de marketing ou publicidade propaganda não está acostumado a ter. As coisas são tão desvalorizadas para esses profissionais que eles são habituados aceitar toda e qualquer proposta e a ter  como comum e habitual este tipo de anúncio de vaga. Ao contrário do que aconteceria com  um. profissional de medicina, que não aceitaria a vaga e a denunciaria para o Conselho, que é bastante ativo. 

A mudança acontecerá de fato quando os profissionais passarem a não aceitar esse tipo de vaga. Todos nós, que atuamos na área, sabemos que é humana e profissionalmente impossível ser bom e ter conhecimento suficiente para atuar com total eficácia em tantas áreas de conhecimento. Cabe a nós, que somos qualificados e que estamos no mercado, a mostrar que não é porque não somos médicos ou advogados que devemos ser desmerecidos ou desvalorizados. 

O sindicato teria uma função extremamente importante: fiscalizar e monitorar este tipo de vaga de emprego, pois a contribuição sindical é para justamente prezar pela qualidade de trabalho dos profissionais vinculados aquele sindicato. Como isso não acontece, cabe a quem está no mercado a ter bom senso e dizer não a esse tipo de proposta indecente impossível de ser realizada com eficácia e qualidade.

Todos sabemos que a crise está modificando o cenário de emprego porém não devemos permitir que isso prostitua o nosso segmento profissional. E quando a crise passar como ficaremos? É preciso que tenhamos coragem de falar até onde podemos ir. Até onde somos qualificados para  atuar. 

É preciso que os departamento de recursos humanos e os proprietários das empresas entendam que, por exemplo, design é uma função ; redator é outra; e gestor de mídias é outra. São três funções que não devem ser vinculadas ou vendidas como uma, pois são três profissionais com formação e atuação completamente diferente. 

Cabe a nós profissionais da área mostrar que não sabemos atuar nas três funções. Que somos responsáveis por apenas uma e que temos conhecimento raso na outra. As vagas múltiplas só existem porque existem profissionais que aceitam, e mentem para si mesmo que são capazes de atuar nas diversas funções. 

É preciso, principalmente, responsabilidade profissional de quem atua no segmento de propaganda e marketing. Quando nós dissermos não e mostrarmos que não conseguimos ser múltiplos, as empresas terão que contratar outro profissionais. Só existe a vaga porque existe profissional para preenche-la. 

Post Autor: Comunicando

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