COMUNICANDO: Popularização do efêmero

Em alguns artigos anteriores escrevi sobre pontos do efêmero na comunicação e, consequentemente, nas formas de comportamento da sociedade. Essa semana tive a oportunidade de participar da palestra promovida pelo Sebrae Goiás com o presidente do Grupo Abril, Walter Longo, que em um dos itens da sua explanação falou sobre a popularização do efêmero. E isso tudo para nos mostrar que já passamos do ápice do mundo digital e estamos imersos no pós-digital, às vezes de uma forma imperceptível.

Desde os momentos mais simples dentro de casa ou nos negócios tudo gira muito rápido e em fração de segundos o ser humano também precisa acompanhar as transformações para não ficar para trás. Essa está sendo a essência no mundo dos negócios e, claro, nas relações humanas também. As amizades pelas redes sociais ou a exposição do cotidiano pessoal e profissional que desaparece em poucas horas ou minutos estão ditando o novo formato da sociedade pós-digital.

Tampouco, as redes sociais tais como Instagram, WhatsApp, Facebook e Messenger possuem funções que permitem que as relações sejam efêmeras com os chamados “stories”. Reportando aos pensadores da comunicação a influência da internet já era abordada por Pierre Lèvy nos anos 90 com os conceitos da cibercultura – aquilo que estava tomado pelos processos comunicacionais interativos.

No entanto, o filósofo francês estava correto ao apontar a conectividade e a instantaneidade como fundamentos dessa nova cultura imersa no digital. Conforme expôs Pierre Lèvy (1999) , “a cibercultura expressa o surgimento de um novo universal, diferente das formas que vieram antes dele no sentido de que ele se constrói sobre a indeterminação de um sentido global qualquer”.Assim ele também determinou que era um “novo dilúvio”, consequência dos avanços tecnológicos e do advento da internet.

Outro pensador que ainda nos anos 90 discorreu sobre a efemeridade foi Jean Baudrillard ao mencionar que a sociedade está criando uma cultura de imagens, de coisas efêmeras, transparentes e que desaparecem. Com isso Baudrillard nos mostra que já era discutido o que estamos vivenciando hoje e nos faz pensar sobre as dimensões da transferência daquilo que há no real para o virtual. O pensador francês também fez uma crítica quanto essa cultura do efêmero ao dizer que “já não é mais um jogo de diferenças, mas joga-se com a diferença sem crer nela. Ser individual tornou-se uma façanha efêmera, sem amanhã, um fingimento desencantado em um mundo sem formatos”.

Não poderia de deixar de mencionar o sociólogo polonês Zygmunt Bauman com o conceito da modernidade líquida. Particularmente, tenho grande apreço pelas suas teorias e mais uma vez me reporto a ele. É importante nos atentarmos que o efêmero não é apenas o passageiro, mas aquilo que também passa sem que seja percebido. Bauman descreveu a modernidade líquida nos parâmetros da fluidez das relações no mundo contemporâneo. Para Bauman, as relações transformam-se, tornam-se voláteis.

A intenção deste artigo não é desconstruir as transformações das relações sociais, mas apontar uma reflexão de que autores de quase 30 anos atrás já discorriam sobre as influências da internet e do digital no comportamento social. Contudo, mostrar que o efêmero tem suas particularidades e que isso pode ser aproveitado de forma positiva.

Post Autor: Comunicando

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *