COMUNICANDO: Otimista Steven Tyler prevê retorno

Tudo que é bom o Comunicando compartilha, e com essa super entrevista do grande astro Steven Tyler não seria diferente né…

Parece caso de amor de música sertaneja, mas é só uma tentativa de definir o status do relacionamento do Aerosmith nos últimos meses: depois de falarem de possível separação, agora Steven Tyler diz ao G1 que a banda de rock pode brigar, mas “não acha que ninguém pode separá-los”. “Rompemos cinco vezes antes e sempre voltamos depois”, diz.

Os shows que rolou na última sexta-feira,21, em Olinda (PE) (veja serviço abaixo) e do Rock in Rio 2017, então, não serão necessariamente despedidas, pelo que ele diz. O vocalista afirma que a banda não tem plano além da turnê de 2017, mas que “não importa o que Joe Perry [guitarrista] decida fazer no futuro, ele sempre vai voltar para tocar comigo”.

Na conversa por telefone, o tagarela Tyler discorre sobre os cartazes dos fãs sul-americanos, canta músicas do Foreigner e de “A dama e o vagabundo” e entrevista o repórter sobre quantos anos ele parece ter no palco. Depois de ouvir um generoso “18 anos”, o cantor de 68 acha muito: diz que tem “coração de 12”. Veja os melhores trechos da conversa abaixo:

G1 – Nesse ponto da carreira, você não deve ter muitas ‘primeiras vezes’. Mas sexta-feira será sua estreia em Olinda. Ainda fica nervoso com coisas assim?
Steven Tyler
Eu me sinto colocando meu melhor vestido de festa para um “date” [encontro] com a cidade inteira. É como aquela música [canta ao telefone um pedaço de “Feels like the first time” do Foreigner]. Pode parecer egocêntrico, mas é que ir a um lugar pela primeira vez nos dá vontade de tocar ainda mais. Porque lembra de onde o Aerosmith veio: abrindo shows para o Kinks e outras bandas, esperando não ser chutado para fora do palco.

G1 – Esta é sua sexta vez no Brasil. Existe alguma coisa daqui que tenha te marcado? O que gosta de fazer aqui?
Steven Tyler –
Gostamos de dar voltas nas cidades e saber onde vamos tocar. Dá para ver que as pessoas daqui levam a música muito a sério, como o futebol. Tanto que os dois rolam nos estádios e deixam os fãs loucos. As pessoas aqui ainda são diferentes, ainda não foram totalmente levadas pela internet e os celulares.

Aerosmith (Foto: Flavio Moraes / G1)

Vejo na plateia gente de todas as idades – garotos jovens e garotos velhos -, com cartazes pedindo músicas, o que não fazem mais nos EUA. Isso nos leva ao começo de tudo, aos anos 70, quando lutávamos pelas coisas, na época do Zeppelin, dos Stones, quando a música era incrível. Agora ela está perdida no meio da música pop e das coisas atuais, mas essa paixão dos sul-americanos é a mesma que sempre tivemos.

G1 – E você acha que o show no Rock in Rio 2017 pode ser o último megashow doAerosmith, caso a próxima turnê seja mesmo a última?
Steven Tyler –
A banda conversou sobre isso. Essa é a última turnê planejada até agora. Haverá outras? Não sei, não posso prever o futuro. Mas não estamos planejando nos separar e todo mundo se mudar para a Lua, sabe? Não sei o que está no coração de cada um, mas sei que sempre que a banda se junta, a mágica acontece. As brigas somem. As esposas, as discussões, o dinheiro, as casas, as coisas boas e ruins, tudo desaparece. Os caras da banda acharam que eu estava os abandonando para lançar um disco solo country. Não era isso, e nós conversamos há alguns dias e eu disse: “Ei, estou aqui, não estou?”.

Amo o Aerosmith mais do que tudo. Sei, no meu coração, que não importa o que Joe Perry decida fazer no futuro, ele sempre vai voltar para tocar comigo. Sei que ele nunca vai achar uma banda em que ele toque melhor do que conosco. Sei que ninguém da banda quer outro vocalista além de mim. Apesar de eu ter colocado eles na berlinda algumas vezes, todos nós amamos a energia que criamos juntos, então ainda temos expectativas de grandes coisas.

G1 – Na sua autobiografia, você fala que a música que você faz tem que ser especial, mágica. Não pode ser ‘só ok’, pois ‘só ok é a morte’. Como você sabe, quando toca com a banda, que está fazendo algo ‘mágico’?
Steven Tyler –
As músicas que criamos juntos são a única coisa que temos. Sempre houve as drogas e as bebidas no caminho… Sexo, drogas e rock’n roll. Hoje todo mundo está casado, então o sexo está resolvido. O rock também está resolvido nas nossas músicas. Mas a bebida e as drogas não usamos mais. É fácil beber, ter uma crise nervosa e ir embora, todo mundo pode fazer isso. Por isso o mundo está tão ferrado.

Aerosmith (Foto: Flavio Moraes / G1)

É fácil ficar embriagado por bebida, por ego ou por cocaína, sair gritando, entrar no seu carro e ir embora. Quantas bandas fizeram isso? Mas nós não. Ainda brigamos, mas a briga às vezes é a mágica. Discutimos, depois nos encontramos e eu digo para o Joe: ‘Qual era o motivo de brigarmos?’. Pelo menos eu digo isso. Jimmy Page e Robert Plant, por exemplo, não devem ter dito isso, pois não estão tocando juntos. Axl Rose e Slash sim, pois voltaram. Às vezes, para o bem do mundo, você tem que colocar brigas de lado.

Jimmy Page e Robert Plant têm o direito de não quererem encontrar um ao outro, mas às vezes eu me sinto egoísta ao pensar: só queria ouvi-los juntos. Eles não estão mortos, continuam tocando e cantando bem. Então, por que não? Só digo que já nos separamos e voltamos cinco vezes e, no fim, sempre nos damos conta de que a música é maior do que as nossas opiniões, ou do que o que os outros dizem, ou que as drogas. É mais importante ficar sóbrio e ficarmos juntos. Parar de brigar e ficarmos juntos. É melhor para mim e para Joe fazer as pazes e escrever de novo.

Isso é sempre melhor para os bilhões de fãs do Zeppelin ou do Aerosmith, ou do AC/DC. Acho que devemos aos fãs ficarmos juntos e detonar. E é isso que a gente sempre faz. Você viu nosso show em São Paulo, certo?

G1 – Sim, não achei que parecia uma banda que estava terminando.
Steven Tyler –
Todos da banda sobem no palco depois do primeiro show, olhamos para a cara do outro e dizemos: “Viu, vale a pena…” Eu olho para o Joe, ou alguém com quem eu tenha discutido, que tenha ameaçado sair, e a gente fala: “Desculpa, vamos voltar”. Às vezes é só questão de alguns ensaios.

Aerosmith (Foto: Divulgação/Edu Deferrari)

G1 – Você já disse que “cheirou metade do Peru”. Como é estar vivo e saudável tocando hoje pelo mundo, inclusive no Peru semana que vem? Acha que teve sorte de sobreviver e ter a banda ainda junta?
Steven Tyler –
Acho que vivi dez vezes mais do que uma pessoa normal nestes 50 anos, e tenho sorte de ter sobrevivido. O Joe também, sem querer julgá-lo. Nós vivemos nossas nove vidas [começa a cantar no telefone a música dos gatos siameses de ‘A dama e o vagabundo’]. Quando você tem nove vidas [ele usa a expressão norte-americana, que deu nome a um CD do Aerosmith e no Brasil seria “sete vidas”], as primeiras são fáceis. Mas depois disso, o melhor é fazer as pazes e continuarmos tocando.

G1 – Tocando juntos, sem romper, certo?
Steven Tyler –
O que te fez pensar que estamos rompendo?

G1 – Entrevistas passadas, mas agora está claro.
Steven Tyler –
Como disse, terminamos cinco vezes antes e sempre voltamos depois. Se você acompanha o Aerosmith, sabe que nós brigamos tantas vezes… Eu tenho 68 anos, e quantos eu pareço ter no palco?

G1 – Achei que parecia ter 18 [pior que achei mesmo, leia resenha do show].
Steven Tyler –
Meu coração tem 12 anos. Sou como um garoto na escola. Sou assim por causa de onde eu nasci, do jeito como vejo as coisas, da minha origem italiana: meu amor pela música sempre supera tudo. Não vejo esse momento como uma despedida. Não acho que alguém pode nos separar.

 

Post Autor: Comunicando

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *