COMUNICANDO: Assédio a mulheres jornalistas: não queremos essa pauta por Danyla Martins

Basta! Assédio sexual e moral contra mulheres jornalistas não deve ser a principal pauta dos noticiários e muito menos visto como frescura. Um elogio cai bem e que mulher não gosta de ser valorizada. Pois bem, eu disse valorizada e não desrespeitada. A maior parte das redações jornalísticas no Brasil é composta por mulheres e recentemente vimos alguns episódios acometidos a elas que repercutiram nacionalmente e desencadearam uma campanha nas redes sociais com a hastag #jornalistascontraoassédio.

É fato que essa situação não acontece apenas com essa classe profissional. Diariamente somos bombardeados com notícias de agressões domésticas, assédios sexuais e morais em qualquer lugar, inclusive dentro do ambiente familiar. Menciono especificamente as jornalistas para trazer à tona a pesquisa da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e da Gênero e Número sobre assédio a jornalistas mulheres no BrasilEu já contribui com a pesquisa e também podem participar jornalistas homens e mulheres respondendo o questionário disponível no seguinteendereço https://pt.surveymonkey.com/r/8937N8WNão se preocupe que a pesquisa tem o cuidado de manter osigilo aos participantes.

No 12º Congresso da Abraji, em São Paulo, realizado em junho deste ano, foi apresentado alguns dados sobre esse tema. O assédio foi resultado de 61% das entrevistadas. Outro ponto também mencionado no evento se refere ao assédio moral na gravidez. O intuito da pesquisa é mapear a diversidade de gênero nas redações e obstáculos enfrentados pelas mulheres jornalistas, com o objetivo de aumentar a segurança no exercício da profissãoA Abraji e a Gênero e Número pretendem lançar uma campanha para apresentar os dados da pesquisa que já teve uma etapa com grupos focais e presenciais em várias cidades.

Sabe o que me preocupa é o assunto ser tratado como frescura. Só para ter uma ideia uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal aponta que 77% das jornalistas entrevistadas relataram ter sofrido assédio moral no ambiente de trabalho por parte de chefes ou colegas. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo é um dos exemplos que incluiu na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) cláusulas no combate ao assédio.

Provavelmente você já ouviu algum caso de mulheres jornalistas relatando algum tipo de “investida” mal intencionada. Não é porque você tem um par de olhos verdes, usa roupas que valorizam o corpo, é alta, loira e etc..que devemos aceitar o desrespeito. Ainda, provavelmente, você já levou na esportiva, tentou disfarçar, desviar, ou até mesmo cortar, mas ainda acontece. Acredito que é válido o respeito. É válido manter a educação. É válido respeitar seu ambiente de trabalho. É válido que não se confunda sorrir com más interpretações.

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