Fake News

Não é de hoje que o jornalismo sofre com as mudanças tecnológicas e as influências dos novos consumidores de notícias, este que, por fim, também estão no campo de produtores de informação. Com essas transformações o jornalismo tradicional parece estar em uma maca tentando levantar. Mas, acontece que está buscando escapar pela tangência ou encontrar um espaço seguro. As mídias sociais vieram avassaladoras modificando a forma de comunicar e colocando as notícias na palma da nossa mão. Tudo está perto, mutável e volátil.

Isso é um ponto positivo. A comunicação tem a necessidade de expansão e o consumidor direito a informação. Bom, e como fica o jornalismo nessa inconstância? Nós jornalistas vemos a necessidade de ampliar os conhecimentos e não apenas atuar na esfera da escrita. Sabe, daquele tradicional “Quem” “Onde” “Por que” “O que” “Quando” que aprendemos nas primeiras aulas na faculdade. Já precisamos ser multimídia e abarcar os campos das mídias, dos textos mais dinâmicos, dos segmentos, das assessorias especializadas sem perder a essência de relatar os fatos reais.

Essa semana o jornalista Charlie Beckett, professor de mídia da London School of Economics e fundador da think-tank Polis, disse ao El Paìs que a imprensa precisa de terapia para se reencontrar. O jornalista se referiu à cobertura política da imprensa, mas é uma afirmativa que se aplica às demais áreas também. Contudo, também salientou sobre o aumento do número de “fake news” – notícias falsas – que são disseminadas como verdades diariamente. E, quanto a isso, fez referência às redes sociais, principalmente o Facebook que é uma plataforma constante de atualização de informação, sejam corretas ou erradas.

Essa é uma preocupação do jornalismo. Manter a qualidade e o processo de apuração para apresentar um produto assertivo. E nós sabemos que as redes sociais têm um poder persuasivo. Charlie Beckett também expôs sua preocupação com os jornalistas e com os meios de comunicação em um ambiente competitivo e ao mesmo tempo tendencioso. No entanto, o jornalista não repudia as redes sociais, mas defende a ideia de que o jornalismo precisa se sobrepor às marés baixas e solidificar a utilidade da sua função.

Não podemos deixar de mencionar que a credibilidade foi e ainda deve ser o carro-chefe do jornalismo. Mesmo com tantas influências externas e nessa era de “fake news” o brasileiro é um dos consumidores que mais confiam em conteúdos veiculados por empresas de comunicação conforme a pesquisa do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. 60% dos disseram confiar nos meios de comunicação para se informar, índice superadoapenas pela Finlândia, com 62%. O “Relatório de Jornalismo Digital 2017” aponta ainda que as redes sociais vêm sentindo os reflexos negativos das “fake news”.

Diante desse cenário que os jornalistas não podem deixar que a credibilidade do jornalismo não vire meros resquícios. Resgatar a função do jornalismo e não deixar que a influência negativa e os fatores emocionais tendenciosos sobreponha ao profissionalismo é um desafio diário. Como disse Charlie Beckett, “ os jornalistas devem resistir a muitos cantos de sereia”.

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