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Perto da apartamento em que eu moro no Jardim Goiás, aqui em Goiânia, existem quatro prédios em construção. No portão de entrada dos quatro canteiros de obra, a mesa informação fixada em papel ofício no portão: “Não há vagas. Por favor, não insista”.

A informação, é claro, mostra a situação econômico-financeira do nosso país. Somos um Brasil com número bastante elevado de desempregados. Para ser mais precisa, tínhamos em fevereiro 13,5 milhões de desempregados. Um número bastante elevado que representa 53,4% dos brasileiros.

Alguns empresários dizem que se as leis trabalhistas fossem mais flexíveis e os impostos menores, haveria uma maior demanda por empregos. Segundo eles, por isso que deve haver uma defesa maior para a reforma trabalhista. Acredito que sejam dois pontos a pensar e refletir.

Voltando a placa dos prédios. As acho agressivas e humilhantes. Quando as leio me sinto como se o trabalhador que não está conseguindo trabalho, graças a situação difícil que o Brasil passa, está incomodando a empresa por estar levando currículo e buscando emprego. Vejo uma placa dessas como o total despreparo da área de Recursos Humanos  e Relações Públicas.

Ao ler a placa pela primeira vez me recordei de David Rockefeller, que era o presidente das ferrovias americanas  – em meados de 1900 – que não aceitava reclamações dos usuários e declarou que “o público que se dane”. Estamos há praticamente 200 anos disso e a postura está semelhante.

Receber um currículo e guardá-lo para uma possível contratação, sem dar esperança ao trabalhador de que ele será contratado de imediato, traz a empresa uma imagem melhor, mais acolhedora e menos selvagem, além de impedir que grandes talentos sejam perdidos e que repassem informações negativas sobre seu empreendimento. Nunca se esqueça que não sabemos quem será nosso cliente ou concorrente no futuro.

 

This Post Has One Comment

  1. Olá, acho que houve um erro de digitação, ou então eu entendi errado. 13,5 milhões de pessoas não é igual 53,4% dos brasileiros.

    A situação do desemprego no Brasil está realmente triste, sempre esteve.

    Pergunta… os prédios são de construtoras diferentes?

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