Igo

O turismólogo goiano Igor Galli, de 34 anos, já viajou por 153 países, conheceu diversas culturas, visitou os mais variados pontos turísticos e colecionou incontáveis histórias. Considerado o brasileiro que mais visitou outros países por um site especializado, ele se prepara para lançar um livro com algumas de suas experiências, em Goiânia. “Hoje, entre 7 bilhões de pessoas, eu me sinto a pessoa mais privilegiada do mundo. Não tem ninguém com minha idade que viajou tanto quanto eu”, afirma.

Igor conta que começou a viajar ininterruptamente aos 22 anos de idade, quando largou o emprego na área de turismo, vendeu o carro e alugou o apartamento onde morava. “Eu sempre fui desmotivado com esse modelo capitalista que a gente tem, de só pensar em trabalho. Então, desde pequeno, pensava em aproveitar a vida e eu fui fazendo esse plano de aproveitar o máximo que eu posso”, disse.

O turismólogo já passou por desertos, praias, vulcões e montanhas geladas. Em cada local, tem um relato diferente. Mas foi em Bali, na Indonésia, onde ele viveu um dos momentos mais felizes. “Eu conheci minha mulher lá, em 2014. Ela também era viajante e estávamos de férias e gostamos um do outro e começamos a namorar. E ela morava em uma tribo aborígene na Austrália, onde ensinava inglês”, contou.

Igor Galli morou com aborígenes na Austrália, Goiânia, Goiás (Foto: Arquivo Pessoal/Igor Galli)

O goiano conta que, mesmo com cada um seguindo seu roteiro de viagem, ele e a mulher se falavam constantemente. Então, decidiu se mudar para a tribo aborígene para revê-la. “Moramos algumas semanas lá, aprendi muito da cultura aborígene, tinha o meu nome, a minha sogra aborígene”, contou.

Apesar de lembrar com muita alegria da esposa, ele também diz que tem que conviver com a tristeza, já que ela morreu em um desastre aéreo. “Quando vim para o Brasil em 2014 para ver minha família, de férias, ela foi para Amsterdã, na Holanda, de férias também. Quando ela estava voltando para a tribo, o voo onde ela estava, da Malaysia Airlines, foi atacado por um míssil e caiu. Esse fato ainda mexe comigo”, lamentou.

Mas foi nas viagens que ele encontrou forças para continuar a fazer o que os dois mais gostavam, que é conhecer novos lugares.

Minha família achou loucura largar tudo […] Hoje se realizam em mim”
Igor Galli, turismólogo

Aventuras
Os riscos e apuros também fazem parte da história de Igor. Em 2012, fazendo uma trilha nas montanhas da Noruega, ele quase morreu após o tempo ficar muito frio e ele perder o caminho demarcado. “Estava no fim da tarde e eu fui ficando cada vez com mais frio, sem força nenhuma, congelando e eu achei que fosse morrer. Até caí, machuquei a perna, fiquei todo ralado, chorei”, relembra.

O viajante chegou a gravar mensagens se despedindo de amigos e familiares, pois acreditava que não sairia vivo das montanhas. Mesmo com um helicóptero o procurando, não conseguiu ser resgatado, pois o tempo estava muito fechado.

“Eu vi umas ovelhas pastando na minha frente e pensei em matar uma e entrar dentro dela para me aquecer, como em filme. Só que graças a Deus eu acabei encontrando uma pessoa que me deu carona, foi muita sorte. Eu estava em estado de choque, mas consegui me salvar”, disse.

Mesmo com as adversidades, Igor diz que valeu a pena toda a experiência. “A beleza que você vê e o momento que você vive. É muito melhor passar a vida com algum risco de morte e aproveitar ao máximo que pode do que passar uma vida inteira em um trabalho das 8h às 18h”, completou.

Igor Galli visitou o mar da Tailândia durante sua viagem pelo mundo, Goiânia, Goiás (Foto: Arquivo Pessoal/Igor Galli)

Recordista
Igor é considerado o brasileiro que mais viajou pelo mundo de acordo com o site The Best Travelled. Apesar do ranking apresentar um outro brasileiro na sua frente, ele foi o único que apresentou todas as provas de que passou pelos lugares listados, como passaporte e fotos.

Porém, para chegar nessa marca, foi necessário muita preparação. Desde os 15 anos já tinha vontade de viajar pelo mundo e começou a aprender inglês e outras línguas. Também trabalhou intensamente, dentro e fora do Brasil, para juntar dinheiro e pegar experiência.

Além disso, passou cinco anos na Inglaterra, onde trabalhou em vários restaurantes. “Trabalhava 10h por dia todo santo dia sem nenhum dia de folga. Eram 70 horas por semana para ter uma grana e colher esses frutos que estou colhendo”, contou.

 

Igor Galli andou de camelo pelo deserto do Saara na Tunísia, Goiânia, Goiás (Foto: Arquivo Pessoal/Igor Galli)

O goiano não sabe, ao certo, quanto dinheiro conseguiu juntar para conseguir ficar viajando por tanto tempo. Porém, a aceitação na família no começo foi difícil. Com parentes que acumulavam mestrados e doutorados, tendo um bom emprego e sendo bem sucedido aos 20 anos, enfrentou muita resistência.

“Minha família achou loucura largar tudo. Desde aquela época eu já sabia que era a melhor decisão que eu podia tomar: largar tudo e ir embora. Mas meus pais acharam ruim. Hoje, eles se realizam em mim”, disse.

Agora, depois de tantas viagens e tantos países desbravados, Igor reuniu histórias e se prepara para lançar um livro contando suas experiências. Intitulado “As Melhores Atrações Culturais do Mundo”, a obra também tem o objetivo de divulgar sua paixão. “Quero motivar outras pessoas a explorarem novos destinos, além de arrecadar dinheiro para que continue fazendo novas viagens”, concluiu.

Fonte: G1 Goiás

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