Suicide Squad Movie 2016 Poster

Quando Geoff Johns foi nomeado como chefe do DC Films, as palavras de ordem foram esperança e otimismo, na tentativa de afastar o tom sisudo e sombrio que Batman vs Superman: A Origem da Justiçaacabou trazendo para o recém estipulado universo cinematográfico. No entanto, Esquadrão Suicida já estava praticamente finalizado, e um grande ponto de interrogação a respeito do filme pairava no ar. Apesar de ser impossível – por motivos óbvios – mudar o que já havia sido realizado no filme, logo surgiram informações de refilmagens e algumas mudanças que o deixariam mais… agradável a todos os tipos de público. Mas já era claro que o tom do longa seria bem diferente deBatman vs Superman desde o início. Os trailers entregavam isso.

E é exatamente o que Esquadrão Suicida faz. O filme escrito e dirigido por David Ayer entrega exatamente o que os trailers já demonstravam, uma aventura improvável, com “heróis” improváveis, e um tom muito mais colorido – algo que os pôsteres já evidenciavam – permitindo-se ser muito mais um filme de gibi do que os seus antecessores. Na verdade, é até engraçado que um filme com uma equipe de vilões, sendo a maioria deles desconhecidos do grande público, consiga vestir a camisa de um bom filme de gibi e ostentar orgulho de ser o que é, muito mais do que um filme que traz três ícones como Batman, Superman e Mulher-Maravilha. Mas isso não vem ao caso.

Não dá para dizer que finalmente vimos o universo cinematográfico da DC em plena forma no cinema, porque talvez ainda seja cedo para isso – por mais que a cobrança sofrida pelo estúdio seja a equivalente a como se ele tivesse 15 filmes em seu catálogo. No entanto, Esquadrão Suicida até aqui é o filme que demonstra o maior potencial e apresenta o caminho que, talvez, seja o mais interessante a ser seguido. Seu formato, desde a trama simplória, atos bem definidos, uma ameaça genérica e um grupo que precisa se unir na marra por um bem comum, acaba sendo o ideal para o filme, apesar de possivelmente incomodar aqueles que esperavam alguma grandiosidade ou genialidade no enredo. Na verdade, é estranho quando assumem que esse é o defeito de Esquadrão Suicida, quando na verdade é o seu maior trunfo. Ao invés de tornar o filme maçante enrolando em uma trama desnecessária, ele é direto, e se atém a fazer apenas aquilo que um blockbuster precisa necessariamente fazer: ser extremamente divertido.

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Não existe enrolação em Esquadrão Suicida. Principalmente porque não existe tempo para isso. Como nenhum dos personagens foi apresentado anteriormente, é necessária uma introdução que seja rápida, bem construída, e eficaz. A maneira escolhida por Ayer, apesar de um pouco apressada inicialmente, logo se faz compreensível, levando-se em consideração o pouco tempo disponível para apresentação e desenvolvimento de personagens, motivação dos vilões, construção da trama, recrutamento do grupo de protagonistas, e não menos importante… o plot do Coringa. Esse fluxo de informações necessárias para que o filme engrene, acabam tornando o primeiro ato mais apressado do que o ideal, apesar da sempre perceptível intenção de fazer com que tudo esteja o mais coeso possível. 

Obviamente, alguns dos membros se destacam e tem mais profundidade do que outros, o que é completamente compreensível. Ou alguém realmente achava que o Crocodilo teria mais foco do que oPistoleiro de Will Smith e a Arlequina de Margot Robbie? Ainda assim, todo o grupo consegue ter seu tempo de tela, com destaque – o que me surpreendeu – para El Diablo, interpretado pelo ator Jay Hernandez. O vilão em busca de redenção possui um carisma e um background bastante interessantes, que funcionam muito bem no filme. Mas o grande destaque fica mesmo com a Amanda Waller de Viola Davis. Calculista, fria, e mais maligna do que toda a trupe de vilões que ela mesma reúne, a personagem consegue ser mais ameaçadora do que o próprio Coringa. 

E por falar em Coringa, o palhaço do crime interpretado por Jared Leto é um caso à parte. Existia muita expectativa acerca do personagem, principalmente pela interpretação imortalizada de Heath Ledger, o que fazia com que comparações fossem inevitáveis. É difícil julgar o Coringa de Leto, principalmente porque o desenvolvimento do personagem no filme é extremamente pequeno – o que na verdade é bom, já que o foco permanece no Esquadrão do título. É notório que a versão utilizada por Ayer é bem mais puxada para os quadrinhos nos quais o vilão é retratado como um mafioso, mas talvez exista um certo exagero do filme nessa retratação. Apesar de conseguir passar a sensação de ser imprevisível, ele não chega a ser ameaçador. Sua relação com Harley pode incomodar os fãs de quadrinhos mais puristas, já que sai o relacionamento abusivo onde apenas ela enxerga amor, e entra uma trama de paixão carnal que envolve o Coringa fazendo o possível e o impossível para tê-la de volta.

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O roteiro, como já citei, é bem simplório. O que na verdade considero um ponto positivo, já que após as informações principais dadas no primeiro ato, o filme consegue tempo hábil para desenvolver a trama de uma maneira satisfatória, sem tentar inventar a roda. No entanto, a grande ameaça a ser enfrentada pela união do Esquadrão Suicida  quando eles decidem de fato agir como um grupo – é o elo mais fraco do longa. A motivação dos inimigos é fraca, os vilões acabam sendo mais genéricos do que deveriam ser, e apesar de um ato final digno onde cada personagem tem o seu momento e a sua importância, fica a sensação de “caminho fácil demais”. Talvez, uma trama que seguisse a animação Batman: Assalto em Arkham, colocando o Coringa como grande vilão do longa, fosse uma decisão mais acertada e que inclusive justificaria todo o marketing pesado em cima da participação do vilão. 

Como não poderia faltar, existem insinuações e referências ao que estar por vir no universo DC nos cinemas, principalmente no que envolve o plot de Liga da Justiça, onde Bruce Wayne tentará reunir meta-humanos para sua causa. Esquadrão Suicida se sai muito bem nesse quesito de adentrar um pouco mais nesse universo, onde podemos enxergar melhor o panorama de como o governo vê Superman e os meta-humanos espalhados pelo planeta. Ainda não dá para saber se esse é o tom e construção que a DC irá usar para seus próximos filmes. Mas com algumas correções aqui e ali, é inegável que é um passo na direção certa. 

 

Fonte: O VICIO

Por: Murilo Oliveira – Jornalista, fã de quadrinhos, cinema e cultura pop em geral. Esperando o dia em que a humanidade produzirá sabres de luz.

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