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Quando tentamos entender o comportamento de outras pessoas, a educação é um tema muito discutido, e sempre que ocorre algo que não nos agrada ou foge da forma que acreditamos ser a certa, logo intitulamos esse fato como “falta de educação”. Mas será que na atual forma de comunicação cabe esse tipo de apelo?

Transferimos muito do que somos para nosso comportamento online. Mas o mais grave nessa situação é que o contexto nem sempre pode ser analisado pela mesma perspectiva por todos os envolvidos na comunicação. Vamos entender como acontece: é indiscutível o fato de que hoje há a necessidade da nossa participação em grupos online, como no caso de grupos no Whatsapp, seja por trabalho ou vida social.  Nesses grupos, às vezes mantemos contato com pessoas que antes não faziam parte do nosso convívio e que, por isso, não nos conhecia.

Nesses casos, cabe tentarmos responder uns questionamentos: você agradece quando é inserido em um novo grupo? Você avisa quando vai deixar um grupo ou tem alguma estratégia para isso, como sair dos grupos de madrugada para não ser notado? Geralmente, você cumprimenta os novos integrantes? Se a resposta for negativa para as indagações, pode ser que, para algumas pessoas, você esteja agindo com “falta de educação” e pode ser que para outras pessoas, não.

Lembro- que uma vez fui inserida em um grupo. Nele, havia tantas regras de participação que não consegui ficar. Coisas como: horário para fazer pergunta, restrição para divulgação de trabalho, obrigação de responder sempre que a pergunta não fosse direcionada… O excesso de moderação, nesse caso, criou um mal-estar, e o que era pra ser um ambiente virtual favorável, fomentava que qualquer atitude descuidada fosse vista como uma baita falta de educação. É importante ressaltar que, no exemplo, as regras eram claras, mas existem também as comunicações em que se espera o bom senso das pessoas. Isso representa que as regras da convivência estão intrínsecas e dispensam a moderação. E aí que mora o perigo, pois é difícil compreendermos o que está sendo mal visto pelos demais participantes das conversas.

Percebo ainda administradores de determinados grupos agirem como o temido chefe do século passado, que era conhecido por ditar ordens e punir quem não as cumprisse. E quando a conversa acontece de modo individual os problemas não acabam. E ainda te pergunto: você segue algum padrão? Sempre tem aquelas pessoas específicas que recebem o seu bom dia e outras a conversa é mais esporádica. Algumas estão ali na sua lista e você nem sabe o motivo. Se você é o tipo da pessoa que encara todo comportamento diferente do seu como falta de educação, sugiro que repense, pois a comunicação online está pautada por muitos fatores que não controlamos.

Por isso, acredito que, como premissa básica, devemos ter liberdade para sermos quem somos sem haver um julgamento ou uma punição.  Imagina como é exaustivo e quase impossível estabelecermos um contato diário com uma frequência igual para todos os grupos ou pessoas dos nossos contatos. Vale analisar ainda o seguinte: para determinadas pessoas, você pode ser aquela que não dispensa a atenção que ela julga merecedora de receber. Então, na comunicação online, assim como na “vida real”, o bom senso é o pai da educação. Busquemos esperar e impor menos aos outros!

* Tércia Duarte é graduada em hotelaria, especialista em marketing e em Letramento Informacional, além de colunista no site Ideia de Marketing. É professora universitária e mãe do Fernando desde 2009.

Fonte: Ludovica

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